O Pega-Pega Zen

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Tal como a água
Assim é o recipiente
Assim é a minha forma

Para a visão, como o vermelho das rosas.
E ainda, pela mesma,
Venho a parecer como o cinza, arauto das chuvas.
Por tal é que há desentendimento entre os que defendem o que enxergam

Confusão para a audição que tenta perceber-me!
Despejando-me aqui e ali, acreditando que sou como para ela aparento.
Por tal é que há contenda entre os que defendem o que ouvem

Para o olfato, de prudente não opina sobre minha natureza.
Quando de suave perfume, aspira-me.
E, sobretudo, foge evitando o miasma daquel’outra conformação.

E, no paladar: caí só o que o olfato aspirou,
Ou o que, por desventura incapaz foi de evitar.
Deleita-se com o néctar e faz contrair com o amargo o que com o doce relaxou.

Alegria excitante para o tato é perceber-me calorosa!
Quão triste e alheio ao tédio fica com o morno e com o frio!

Por tal é que todos concordam que devem moldar-me de forma aprazível
Renuncia a paz e vive inquieto, movimentando-me sem cessar.

Tenho nome, embora não tenha forma.
Assim é o recipiente
Assim eu me conformo

Ater-se à visão, se sou invisível.
Ater-se à audição, se sou inaudível.
Ater-se ao olfato, se sou inodora.
Ater-se ao paladar, se sou insípida.
Ater-se ao tato, se em verdade e em minha pura natureza, não tenho forma,
Nem resistência alguma.

Minhas formas são múltiplas, não sou nem uma, nem todas. Eu transito entre as formas, e se me apegar a uma sequer, a isto chamo prisão.
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